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DROGAS: UM RESUMO SOBRE OS DANOS

Com base em dados comprovados por pesquisas científicas, elaborei um resumo sobre os danos causados pelo uso das mais variadas drogas. A liberação de substâncias químicas altamente viciantes e prejudiciais ao ser humano, sequer deveria entrar em pauta.

Maconha:

A maconha é a droga ilícita mais utilizada no mundo. Em uma pesquisa o LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas) – realizado pela UNIFESP, afirma que o Brasil tem 1,5 milhão de usuários de maconha. Dentre os prejuízos neuropsicológicos do Cannabis Sativa – em seu princípio ativo, o THC (delta-9-tetrahydrocannabinol), está a ação perturbadora do sistema nervoso central (SNC), os déficits de aprendizagem, afetando a memória, a atenção e a capacidade motora, causando distúrbios do sono, transtornos depressivo e ansioso, bipolaridade e esquizofrenia. 

As técnicas modernas de produção estão potencializando os efeitos da droga, nos anos 60 um cigarro de maconha tinha por volta de 0,5 a 1% de TCH e hoje a mesma quantidade de maconha pode ter de 20 a 30%, ou seja, o usuário está exposto a doses 15 vezes mais fortes que há 50 anos. 

Em 2012, um estudo publicado na Biological Psychiatry mostrou que a variação do gene AKT1 exerce influência no risco de desenvolver transtornos psicóticos em usuários crônicos de maconha. Isso quer dizer que se há a predisposição genética, o uso continuado da maconha é decisivo para a manifestação da esquizofrenia. O estudo mostrou que o uso diário da maconha em pessoas com a alteração genética aumenta em 7 vezes o risco de desenvolver o transtorno. 

Loló, Thinner, Lança Perfumes:

O entorpecente preparado à base benzina, clorofórmio, éter e essência perfumada, tem danos potencializados e há grande risco de parada cardíaca, pois a respiração está suspensa durante o uso e a falta de ar pode fazer com que se perca a consciência. É importante lembrar que todas são substâncias cancerígenas. “O grande problema é que a droga tem ação sobre o sistema cardiovascular, aumenta a frequência cardíaca e deixa a pessoa vulnerável para sofrer a parada” – explica o cardiologista Pedro Rafael Salerno. 

Passados os efeitos, os resultados são fortes dores de cabeça, náuseas, depressão, arrependimento, vômitos e mal estar, a droga destrói as células do cérebro e o uso seguido dessas substâncias podem levar a morte. As substâncias são absorvidas pela mucosa pulmonar, sendo seus componentes levados – via corrente sanguínea, aos rins, fígado e sistema nervoso. Ao liberar adrenalina no organismo, acelera a frequência cardíaca. 

O Dr. Salerno ainda explicou que é muito difícil conseguir socorrer alguém que tenha uma crise por cheirar loló. “A droga tem efeitos muito rápidos. A pessoa pára de respirar e a falta de ar a faz cair e perder a consciência, depois o coração pára e é fatal.” 

Cocaína:

Trata-se de um alcaloide presente numa planta sul-americana – a coca, cujo nome científico é Erythroxylon Coca. De todos os indivíduos que experimentam cocaína, 5 a 6% se tornam dependentes dela nos dois próximos anos. 

A droga causa dependência, seja ela química ou mesmo psíquica, e os efeitos induzem o usuário a utilizar outros compostos químicos. Sendo o mais popular o álcool. 

Pode causar problemas de saúde irreversíveis e que em casos extremos podem levar até à morte. O consumo excessivo conhecido como overdose leva até mesmo à morte instantaneamente. 

É possível presenciar efeitos como: 

A euforia, taquicardia, paranoia, irritação exacerbada (algumas pessoas se tornam muito agressivas imediatamente após o uso enquanto outras se tornam depressivas e melancólicas). 

Em usuários que fazem o uso contínuo da droga, além da alteração perceptível de humor, apresentam o quadro de perda do apetite, aumento da pressão arterial, batimentos cardíacos e elevação da temperatura corporal, 

contração dos vasos sanguíneos, aceleração do ritmo respiratório dilatação das pupilas, ausência de sono, náuseas, comportamentos estranhos considerados erráticos e até mesmo crises de violência, alucinações e irritabilidade, alucinações táteis que provocam a sensação de insetos caminhando, euforia intensa, ansiedade aguda, paranoia repentina, quadros graves de depressão, fissura pela droga, convulsões podem surgir após o uso ou mesmo quando há ausência da substância no organismo, infarto agudo do miocárdio, doença renal, doenças intestinais e claro, a morte. 

Essas informações foram retiradas de um texto assinado por Diego Tinoco, que é médico psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da UFMG, pós-graduado em saúde da família pela UFMG

Na edição mais recente da revista Science, os cientistas da Universidade de Genebra na Suíça, mostraram como um estudo feito em ratos indicou que, além de a substância estimular circuitos excitatórios do córtex – algo que já se sabia, ela prejudica a produção de neurotransmissores inibitórios. Em outras palavras, o entorpecente não só acelera os neurônios, como também desliga os freios desse processo.
O cérebro humano tem cerca de 100 bilhões de neurônios conectados. Essas células, no entanto, não são coladas umas às outras: elas conversam pela sinapse, um pequeno espaço em que substâncias químicas circulam, sendo liberadas e absorvidas. Uma delas é a dopamina. Quando o corpo recebe um estímulo de prazer — que pode ser uma fatia de bolo de chocolate ou uma droga como a cocaína —, algumas células nervosas liberam a dopamina, que é absorvida por outros neurônios que têm receptores para isso. Assim, a substância circula e garante satisfação à pessoa. O que os pesquisadores suíços descobriram é que a cocaína desencadeia um processo que resulta na inibição de neurônios que liberam o Gaba, principal neurotransmissor inibidor do sistema nervoso central. Essa inibição ocorre em uma região específica do cérebro, conhecida como área tegmental ventral (VTA, na sigla em inglês). 

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores aplicaram injeções de cocaína em ratos geneticamente modificados e observaram o efeito no cérebro dos animais por meio de optogenética, técnica que consiste na expressão de uma proteína sensível à luz, facilmente manipulada pelos cientistas. Christian Lüscher, um dos autores, afirma ao Correio que o estudo inovou ao olhar para os processos inibitórios na VTA. “Não há outras pesquisas olhando especificamente para a transmissão inibitória nessa região” – garante.
O especialista acrescenta que a investigação traz muitas pistas sobre como o vício se forma e por que usuários podem sofrer com a síndrome de abstinência, grande desconforto físico que surge quando o uso da droga é interrompido. Isso porque essa inibição do Gaba perdurou por muito tempo. “O efeito foi observado nos animais por dias, senão por semanas.”
O estudo mostra que o neurônio, sob efeito da droga, muda seu comportamento de forma duradoura e, talvez, até permanente. 

FREUD e a péssima experiência com a cocaína 

Freud perdeu pelo menos um paciente na sua aposta na cocaína. Ernst von Fleischl-Marxow, médico amigo de Freud, viciou-se em heroína por conta das do tratamento contra a dor de uma amputação de um polegar no trabalho de laboratório.
Freud acreditava que a cocaína fosse um remédio ainda não testado para o tratamento do vício em opiáceos e recomendou ao amigo. Em pouco tempo Fleischl-Marxow se tornou dependente da droga, tendo morrido aos 45 anos de idade em decorrência do seu uso abusivo. 

O fracasso das teorias em defesa da coca na cura de histeria, problemas digestivos, asma e como um estimulante genérico levou o psicanalista a queimar dezenas de documentos sobre a droga quando a medicina reconheceu sua nocividade. 

LSD, Ecstasy, MDMA:

Seja metilenodioximetanfetamina (MDMA), ou ecstasy, ou LSD que é uma droga conhecida entre a população e que causa efeitos psicológicos que são considerados devastadores. De acordo com o cientista Sealfon, da Escola de Medicina Monte Sinai em Nova York, o LSD assim como outros alucinógenos “afeta o mesmo tipo de ‘fechadura’ química dos neurônios. Trata-se de um sistema conhecido pela sigla 2AR. Os alucinógenos fazem esse sistema funcionar muito acima do que deveria.” 

O ecstasy se classifica como droga psicodélica porque atua sobre os receptores serotoninérgicos 5HT2A e 5HT2C, aumentando os níveis do neurotransmissor serotonina. A metilenodioximetanfetamina também modula outros neurotransmissores e substâncias reguladoras, como dopamina, norepinefrina, noradrenalina, ocitocina, prolactina e cortisol.
O efeito concertado costuma ser redução do medo e aumento de empatia, confiança e intimidade (para não mencionar o risco de hipertermia, ou superaquecimento, que já vitimou vários frequentadores de “raves”; como outros psicodélicos, a MDMA relaxa os controles da rede neural em modo padrão (DMN, “default mode network”, em inglês). Essa interação de regiões cerebrais como o córtex cingulado posterior, o córtex pré-frontal medial, o giro angular e o hipocampo, entre outras, entra em ação de forma automática quando a pessoa não está prestando atenção no mundo exterior. 

A experiência psicodélica propicia um afrouxamento dessa rede que permite a interconexão mais fluida entre outras áreas cerebrais, com consequente redução da consciência autorreferencial – algo descrito na literatura como “dissolução do ego”. Estando associado a patologias como alzheimer, autismo, esquizofrenia, depressão e estresse pós-traumático, além de efeitos indesejados, como aumento da tensão muscular e da atividade motora, aumento da temperatura corporal, enrijecimento e dores na musculatura dos membros inferiores e coluna lombar, dores de cabeça, náuseas, perda do apetite, visão borrada, boca seca, insônia, grande oscilação da pressão arterial, alucinações, agitação, ansiedade, crise de pânico e episódios breves de psicose. 

O uso a longo prazo do ecstasy causa muitos prejuízos à saúde. O excesso de serotonina na fenda sináptica provocado pelo uso da droga causa lesões nas células nervosas irreversíveis. Essas células, quando lesionadas, têm seu funcionamento comprometido, e só se recuperam quando outros neurônios compensam a função perdida. 

Estudos realizados em humanos consumidores dessa droga comprovam a perda da atividade serotoninérgica, que leva seu usuário a apresentar perturbações mentais e comportamentais como dificuldade de memória, tanto verbal como visual, dificuldade de tomar decisões, ataques de pânico, depressão profunda, paranoias, alucinações, despersonalização, impulsividade, perda do autocontrole e morte súbita por colapso cardiovascular. 

O uso do ecstasy pode causar lesão no fígado, que fica amolecido, além de aumentar de tamanho, com tendência a sangramentos. Dependendo do grau de toxicidade, o quadro evolui para hepatite fulminante, podendo causar a morte caso não haja um transplante de fígado. 

No coração, a aceleração dos ritmos cardíacos e o aumento da pressão arterial podem levar à ruptura de alguns vasos sanguíneos, causando sangramentos. 

Os usuários do MDMA apresentam elevados riscos de desenvolver distúrbios psicopatológicos, que são classificados como agudos (ocorrem nas primeiras 24 horas depois do uso da droga), subagudos (frequentemente são observados 24 horas a 1 mês depois da ingestão do MDMA) e crônicos (ocorrem após Xavier, C.A.C. et al. / Rev. Psiq. Clínica (2008 99 meses). 

As mais freqüentes complicações agudas são insônias, flashbacks, transtornos de pânico e psicoses, já as complicações sub-agudas incluem depressão, náuseas, ansiedade e irritabilidade. Transtorno de pânico, psicoses, depressão e distúrbios da memória constituem as principais complicações crônicas. Efeitos neurológicos do uso em curto prazo do MDMA também são descritos e incluem hemorragia subaracnóidea, hemorragia intracranial ou infarto cerebral. 

O consumo de ecstasy pode elevar a doenças degenerativas do sistema nervoso central, ou para os transtornos mentais que podem incluir sintomas tais como depressão. Alterações neuropsicológicas detectadas nos consumidores habituais de ecstasy podem explicar os processos de neurodegeneração seletiva que esta droga parece produzir a longo prazo nos terminais serotoninérgicos do cérebro. 

As descobertas datadas

A MDMA foi sintetizada e patenteada em 1912 pela farmacêutica Merck. Até na década de 1950 haviam sido realizados estudos com animais e não encontraram, na época, aplicações medicinais.

Na década de 1980, redescoberta como auxiliar para psicoterapia, fez furor nas casas noturnas com o nome de ecstasy, chamando a atenção da DEA (agência antidrogas dos EUA) que a criminalizou em 1985. 

O LSD foi descoberto em 1938 por Albert Hofmann (1906-2008), na farmacêutica Sandoz. A descoberta guardou o status de curiosidade até ser adotado pelo movimento contracultural nos anos 1960. 

Em 1966, a DEA incluiu o ácido lisérgico na lista de substâncias perigosas pelo alto potencial de abuso e por efeitos adversos graves, como reações agudas de pânico e crises psicóticas. Vários Estados americanos proibiram fabricação, posse e consumo, legislação que logo se espalhou pelo mundo.